1. 🔴 FRATURA BURST L1 — SEQUELA SUBAGUDA/CRÓNICA (ACHADO PRINCIPAL): Corpo vertebral L1 com deformidade residual pós-fratura explosiva (burst). Perda de altura anterior e posterior do corpo vertebral com fragmentação óssea. Fragmento posterossuperior retropulsado comprometendo o canal raquídeo. Cifose segmentar pós-traumática ao nível da transição toracolombar. Em fase subaguda-crónica aos 3 meses — sem sinal STIR significativo de edema ósseo agudo. Margens irregulares e corticais perturbadas. Equivale a fractura AO Spine tipo A3/A4.
2. 🟠 COMPROMISSO DO CANAL MEDULAR EM L1: Estreitamento do diâmetro antero-posterior do canal raquídeo ao nível de L1, por fragmento ósseo retropulsado da parede posterior do corpo vertebral. Necessária avaliação do cone medular (extremidade inferior da medula espinhal em L1-L2) e das raízes da cauda equina. Sem evidência de lesão medular aguda neste exame tardio.
3. 🟡 CIFOSE PÓS-TRAUMÁTICA T12-L1: Deformidade em cifose segmentar ao nível da transição toracolombar secundária à fratura burst L1 com colapso do corpo vertebral. O ângulo de cifose local está aumentado. Esta deformidade sagital pode contribuir para dor crónica e progressão a longo prazo.
4. 🟡 NÍVEL L4-L5 — DISCARTROSE AVANÇADA PÓS-DISCECTOMIA (CIRURGIA 2017): O nível L4-L5 foi submetido a discectomia em 2017 (remoção de hérnia discal, SEM implantes metálicos). Na RM de 2023, as alterações ao nível L4-L5 (hipossinal T2 do disco, redução de altura) são SEQUELA DA DISCECTOMIA e da discartrose avançada pré-existente — não são novas lesões traumáticas. Como não foram colocados implantes em 2017, NÃO há artefactos metálicos neste nível. O nível L5-S1 também mostra redução da hidratação (hipossinal T2).
5. 🟢 CONE MEDULAR E CAUDA EQUINA: Cone medular de aspeto preservado, sem sinais de contusão medular crónica. Raízes da cauda equina sem compressão franca ao nível axial nos níveis estudados. Avaliação funcional neurológica permanece essencial para correlação clínica.
🔷 SAG T2 FSE (12 imagens)
Fratura Burst L1: Deformidade residual com fragmentação da cortical do corpo vertebral
Cifose segmentar: Ângulo de cifose local aumentado em T12-L1
Canal medular: Estreitamento em L1 por fragmento retropulsado
Discos em corte axial: Protusões/hérnias posteriores e foraminais
Facetas articulares: Artrose facetária nos níveis inferiores
Músculo psoas: Avaliação bilateral dos psoas e paraspinais
⬛ AX T1 FSE (24 imagens)
Morfologia vertebral axial: Avaliação em T1 do corpo vertebral
Tecidos moles axiais: Compartimentos musculares e retroperitoneal
Canal T1: Visualização do cone/raízes em sinal T1
Gordura epidural: Sinal hiperintenso T1 ao redor do saco dural
Rins: Avaliação parcial dos rins em cortes superiores
📐 COR T2 FSE (17 imagens)
Morfologia vertebral coronal: Avaliação do alinhamento e altura vertebral
Discos coronais: Altura e sinal dos discos intervertebrais
Rins: Ambos os rins visíveis — avaliação de tamanho e sinal
Alinhamento coronal: Sem escoliose significativa
Pedículos: Integridade dos pedículos vertebrais
📖 Legenda das Anotações — Código de Cores
🔴 Fratura / Lesão Óssea
Fratura burst L1 residual — deformidade do corpo vertebral com fragmentação e retropulsão de fragmento para o canal medular.
🟠 Canal Medular Comprometido
Estreitamento do canal raquídeo por fragmento ósseo retropulsado. Risco de compressão do cone medular / cauda equina.
🟡 Alteração Discal
Discos intervertebrais com hipossinal T2 (desidratação/degenerescência) e diminuição de altura — possível protusão/hérnia associada.
✨ Sinal STIR Aumentado
Hipersinal STIR no corpo vertebral — indica edema ósseo / remodelação subaguda. Na fase aguda seria marcado; aos 3 meses é residual.
🟣 Raízes Nervosas / Cauda Equina
Raízes nervosas da cauda equina no canal medular. Avaliar compressão, assimetria ou captação anormal de contraste (não administrado neste exame).
🟢 Estruturas Preservadas
Nível vertebral, disco ou estrutura anatómica sem alterações significativas — ponto de referência para comparação.
💡 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA E CONCLUSÕES
🎯 Diagnóstico Principal:
SEQUELA DE FRATURA BURST L1 — FASE SUBAGUDA/CRÓNICA (3 MESES) COM CIFOSE PÓS-TRAUMÁTICA. ANTECEDENTE: DISCECTOMIA L4-L5 (2017, SEM IMPLANTES) — ASSINTOMÁTICO ATÉ AO ACIDENTE. DISCARTROSE AVANÇADA L4-L5 É SEQUELA DA CIRURGIA PRÉVIA, NÃO LESÃO TRAUMÁTICA.
📊 Síntese Multiplanar:
→ Sagital T2: Melhor sequência para avaliar a deformidade vertebral, altura discal e sinal do cone medular
→ Sagital STIR: Sensível para edema ósseo residual — hipersinal discreto em L1 confirma fase subaguda-crónica
→ Sagital T1: Sinal heterogéneo em L1 — remodelação óssea em curso, sem colapso adicional
→ Axial T2: Permite quantificar o grau de compromisso do canal e avaliar as raízes da cauda equina
→ Coronal T2: Avaliação do alinhamento vertebral coronal e morfologia dos pedículos
⚕️ Correlação Clínica Esperada:
→ Dor lombar crónica: Secundária à deformidade residual, cifose segmentar e discartrose
→ Possível síndrome de cauda equina incompleta: Se o fragmento retropulsado comprimir raízes nervosas
→ Défice neurológico residual: Depende do grau de compromisso medular/radicular — avaliação clínica essencial
→ Limitação funcional: Dificuldade na mobilidade, dor irradiada (lombociatalgia possível)
🔮 Recomendações:
→ Avaliação neurocirúrgica: Para ponderar descompressão / fixação cirúrgica da fratura burst L1
→ Exame neurológico completo: Avaliação de défice motor, sensitivo e esfincteriano
→ Fisioterapia e reabilitação: Programa de reabilitação lombar e fortalecimento core
→ RM de controlo: Em 6-12 meses para avaliar progressão da cifose e discartrose
→ Gestão da dor: Abordagem multidisciplinar para dor crónica pós-traumática